Holanda

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Na Holanda aqui que tudo começou. No dia 18/08/2017 saímos da cidade de Amsterdam para uma viagem de mais de 400 dias pela Europa e África. A Holanda sempre esteve em nossos planos de viagem, pelo menos nos meus. No Paraná, onde moramos, tem umas cidades (Carambeí e Castrolanda) que tiveram uma influência grande de holandeses. Em nosso tempo no Brasil fomos algumas vezes visitar essas cidades, que inclusive tem um redemoinho original da Holanda e um museu a céu aberto dedicado a imigração holandesa na região. Bom, isso que eu contei foi só um pretexto para irmos visitar a real Holanda (rs.)

Amsterdam – 0 KM – Acumulado: 0 KM
Antes da Holanda, viemos da Alemanha, ficamos um tempo na cidade de Hamburg (onde nossos amigos alemães, o Sven e a Julia, que conhecemos no Irã, estavam morando. Foi muito legal revê-los depois de quase 2 anos, em Setembro de 2016 foi quando viajamos pelo Irã juntos. Em Amsterdam fomos recebidos pela Estela (grande amiga nossa que em 2006/ 2007 também fez o programa Au Pair in America junto com a Dani.) Elas se conheceram no programa e formaram uma amizade de longa data. A Estela é baiana de Salvador e é tão amiga nossa que já foi nos visitar em Curitiba duas vezes e até em nosso casamento foi, não poderíamos estar em melhores mãos em Amsterdam. A Estela está morando em Amsterdam já faz 3 anos. Chegamos na melhor época do ano, segundo ela, o verão. Chegamos na cidade no dia 14/08/17. O clima estava ótimo. Viemos de FlixBus, a companhia low-cost de ônibus que cobre uma boa parte da Europa a preços bons. Nossa chegada em Amsterdam foi a noite, estávamos com um chip com internet e fomos seguindo as orientações que a Estela tinha nos passado para chegar em sua casa. Tivemos um contra-tempo, descemos no ponto errado. Mandamos uma mensagem para a Estela e ela foi nos resgatar. Reencontrar a nossa amiga depois de quase 5 anos foi muito legal. A Dani e a Estela se abraçaram com aquele abraço de amizade gostoso. Nós ainda não estávamos com as bicicletas, nas nossas malas estavam todas as nossas roupas e alguns equipamentos que trouxemos do Brasil. Estavam pesadas pacas. Eu não via a hora de pegar os alforjes e realmente assumir a nossa fase cicloturista e de deixar por um tempo nossa fase mochileira. Caminhando até o apartamento da Estela já tivemos contato com os canais da cidade. Em um momento, uma das pontes do canal que iríamos cruzar subiu para que veleiros pudessem passar. Lembro de ter comentado com a Dani, “olha essa ponte! É igual aquela que tem no museu lá em Carambeí.”, lembra que comentei das referências lá do Paraná? Chegamos na casa da Estela e fomos dormir super tarde. Muita coisa para atualizar. Na manhã seguinte, acordamos tarde e a Estela comentou: é melhor aproveitarmos o dia e sair para conhecer a cidade, o tempo está bom. Aqui a preocupação com o tempo é tamanha que qualquer brecha de ‘não chuva’ ou luz de Sol é um ótimo pretexto para ir para a rua. Foi o que fizemos, fomos para a rua.
Nós estávamos muitos ansiosos para ir ver as bicicletas e comentamos com a Estela que antes de conhecer a cidade queríamos passar na loja e organizar como seria a entrega das bikes e a compra dos equipamentos que precisaríamos. Chegamos na loja do Eric, a De Vakantiefietser, pensa numa loja FODA, pensa num cara gente FINA. Voltamos a mesma sensação que sempre temos quando entramos em uma dessas lojas de montanhismo. Foda. Nossos olhares ao verem as bicicletas ali, foi emocionante. Parece bobagem para você, mas ver ali na nossa frente o nosso meio de transporte para os próximos meses nos tocou. O Eric é uma pessoa incrível, além da loja tem uma baita experiência em cicloturismo, já viajou junto com sua esposa para quase todos os continentes. Logo que chegamos ele nos instruiu de como seria a semana em relação a preparação das bicicletas e todo o restante. Nesse mesmo dia fizemos um bike fit. Nunca tínhamos feito um, e achei muito válido. Combinamos com ele de pegar as bicicletas na sexta-feira (dia 18/08/17) pela manhã. Nesse dia o Eric nos convidou para um workshop de mecânica básica de bicicleta, não pensamos duas vezes e confirmamos nossa presença. Vendo que não seria um dia de turismo a Estela voltou para o apê dela e nos deixou ali. O workshop foi muito bom, nos ensinou uma mecânica básica, mas bem importante. A Dani ficou surpresa com a oportunidade e super topou de participar. No dia seguinte, fomos fazer turismo. O dia estava ótimo. A Estela nos levou nos principais lugares da cidade, a região dos museus, o Red Light District, os famosos coffee shops (16:20) e o mais legal na minha opinião de fazer em Amsterdam, caminhar pelas ruelas e canais da cidade. Visitamos a biblioteca OBA, passeamos pelo parque Vondelpark (que era do lado da casa da Estela). Em Amsterdam percebemos o real impacto que a bicicleta pode causar na economia do país. A cidade é referencia nesse modal de transporte e que tem feito um trabalho bem interessante no sentido de buscar a harmonia entre todos os que usam as ruas da cidades (pedestres, bicicletas, carros e ônibus). Eu fiquei abismado com a quantidade de bicicletas na rua e a velocidade em que as pessoas pedalavam. A infra-estrutura é algo impressionante também. Chegou dia 18/08/17, dia de nossa partida. Mal dormi na noite anterior, confesso. Estávamos (eu e a Dani) com uma vontade enorme de entrar em movimento. Na noite anterior, montamos todos os nossos alforjes. Estava preocupado se caberia tudo que trouxemos, e coube (ufa). Saímos cedo, pegamos o tram e voltamos a loja do Eric. Fizemos os últimos acertos de compra de equipamentos, produtos de manutenção e últimas instruções do Eric para nós. Ouvimos tudo com os ouvido bem atentos. Já estávamos dando tchau para ele, eis que ouvimos o hino do Brasil nos alto-falantes da loja. O Eric tinha um cd com todos os hinos nacionais e tocava para todos os clientes dele que saiam em uma pedalada pelo mundo. Eu e a Dani não acreditamos no que estávamos ouvindo. Ficamos num sentimento de orgulho, alegria e meio que sentindo a responsabilidade do que estava por vir. Foi um momento bem especial. Ao Eric, seremos gratos pela ajuda e pelas orientações que nos passou nesses dias. Tiramos a clássica foto na frente da loja e partimos. Estávamos pedalando em Amsterdam nossas próprias bicicletas. Chegamos na casa da Estela, pegamos os alforjes e colocamos nas bicicletas. Demos tchau para nossa amiga e a perna começou a tremer (hahaha). Jamais esquecerei a sensação de pedalar uma bicicleta com 30kg de equipamentos. Tremia tudo, até entrarmos em uma sintonia demoramos uns 10km. Meu coração disparou de emoção. Olhei para a Dani e estávamos começando nossa viagem, começávamos mais um capítulo de nossa jornada nesse mundo. Voltamos a estrada. Agora o lema era: “Travelling the world. Cycling the better way.”.

Alphen Aadenrijn – 40 KM – Acumulado: 40 Km
Demoramos um pouco para sair de Amsterdam, por N razões. Estávamos ansiosos, tivemos que nos acostumar com a bicicleta com peso, paramos em um mercado para comprar comida, me bati um pouco até me achar com o aplicativo novo de navegação e o vento, claro. Decidimos fazer uma metragem curta justamente para não forçar muito logo no primeiro dia. A Holanda é um país bem plano o que faz com que os ventos que batem ali sejam bem constantes. Saímos de Amsterdam e logo na saída já erramos a entrada e descobrimos que não poderíamos pedalar nas auto-pistas (lição número 1 de uma viagem de bicicleta: busque rotas alternativas. Evite as auto-pistas na Europa e/ ou qualquer lugar do mundo.) Viemos pedalando por estradas secundárias e ciclovias. A Holanda foi e estava sendo o nosso jardim de infância no cicloturismo. Pedalar e viajar de bicicleta aqui é muito bom, seguro e fácil. Viemos percorrendo as estradas e observando os canais. As vezes cruzavam por nós grandes balsas levando carros e outras coisas. Os canais aqui tem um fluxo pesado de embarcações, não imaginava e que era tanto assim. Lá pelo fim do pedal, ainda faltavam uns 10km para chegarmos em nosso primeiro camping, decidimos comemorar tomando uma cerveja. Aqui aprendemos a 2a lição de uma viagem de bicicleta: deixe para beber uma cerveja quando chegar (hahaha). A cerveja é extremamente relaxante e fomos ingênuos de achar que só uma cervejinha não iria fazer mal. Mas fez e bateu legal (hahaha), nossas pernas depois daquele chopp parece que estavam com aqueles pesos de academia (sabe?). Viemos nos arrastando pelo caminho. Enfim, chegamos no camping. A estrutura era boa. Deixamos as bicicletas em um paiol cheio de bikes também. Uma tempestade se aproximava, corremos para montar a barraca. Já vimos a nossa primeira surpresa da viagem, a nossa barraca da marca americana REI tinha ficado fechada quase 2 anos e a cola de vedação ressecou, o que vimos que poderia ser um problema. Felizmente não choveu. Fizemos nossa primeira janta. Foi um macarrão, primeiro de vários (rs). Tomamos banho e fomos dormir. Eita, que 1o dia! Em nossa inexperiência em viajar de bicicleta, colocamos todos os 8 alforjes e outros sacos dentro da barraca, não sobrou muito espaço para mim, dormi todo torto.

Rotterdam – 50 KM – Acumulado: 90 KM
2o dia de pedal. Acordamos cedo, dia lindo, tomamos nosso café da manhã e fomos desmontar o acampamento. Demoramos 3 HORAS (eu disse, 3 horas) para desmontar tudo e montar tudo em cima das bicicletas. Realmente estávamos em nossa fase de infância aqui. 3 horas é muito tempo! Logo que saímos viemos pensando o que fez com que demorássemos tanto. Descobrir em qual alforje está aquela roupa, Onde guardamos o pó do café? Guardamos todas as panelas? Pegamos todas as estacas da barraca? Colocamos água nas garrafinhas? São várias coisas para se pensar e, como crianças, fomos descobrindo essa brincadeira chamada cicloturismo. Começamos nosso dia e decidimos visitar a cidade de Gouda (essa mesma, a do famosos queijo), a cidade é charmosinha. A principal atração dela é a igreja na praça central, a feira e os restaurantes ao seu redor. Paramos por lá para o nosso almoço. Pedimos um punhado de batata-frita com maionese e ficamos observando o movimento na praça. A cada hora tocam os sinos da igreja e das suas janelas saem bonecos que deixam o momento mais especial. A igreja de São João é do séc XVI, bem bonita. Seguimos nosso pedal e continuamos nos acostumando com a carga que levamos. O vento hoje continuou chato, deu trabalho para nós. Mais alguns quilômetros e chegamos a cidade que tínhamos planejado. Rotterdam é uma cidade grande. Pouco vimos da cidade em si. Deu tempo só de buscar um camping que acabou sendo nas redondezas. Para um segundo dia de viagem, ainda tivemos algumas dificuldades de navegação e acostumar o corpo. Já no fim do dia vimos que os campings aqui na Holanda tem a estrutura parecida: um bom gramado, bem encharcado por causa de ser um país praticamente construído sobre a água e uma estrutura muito boa de banheiros. Aqui tivemos o primeiro contato com o famoso chuveiro de tempo (que muitos dos campings usam aqui na Europa) acredito que seja para uma questão de economia de água (será?). Em um momento, fui tomar banho e assim que terminei começou uma chuva de verão. Saio do banheiro e vejo a nossa barraca, as bicicletas e a em uma mesa ao lado as nossas comidas na chuva, pensei: ué, cadê a Dani? Saio correndo para tirar as comidas da chuva e entro correndo na barraca. Eis que vejo a Dani lá dentro (hahaha). Perguntei para ela: o que aconteceu? e a comida ficou lá fora? Ela me responde, fiquei meio sem resposta quando a chuva chegou que só tive tempo de correr para a barraca me proteger. Demos risada e depois comemos sanduíche com queijo Gouda molhados (hahaha). Fomos dormir, estávamos bem cansados. Lá pela madrugada a chuva volta e percebemos que a parte ressecada da barraca estava deixando entrar água. Houston we have a problem! Dormimos como deu.

Dordrecht – 30 KM – Acumulado: 120 KM
Acordamos cedo. Focamos em tentar reduzir o tempo de desmontar acampamento. Conseguimos, reduzimos 30 minutos (rs). A Dani não dormiu muito bem, a água entrando na barraca acabou molhando um pouco ela. Saímos e já começamos o nosso pedal do dia. Fomos em direção a Dordercht. No meio do nosso caminho vimos que teríamos que pegar um ferry para atravessar. Quando chegamos no ferry uma mãe que estava com os filhos nos abordou e comentou, “vocês vão visitar os moinhos de Kinderdijk?”. Olhamos para a mãe e comentamos que não sabíamos do lugar. Ela nos passou as coordenadas e era logo do outro lado do rio. Fomos até lá e realmente é um lugar incrível. Existem vários redemoinhos e estão super bem conservados. Pedalar no meio deles foi muito legal. Tínhamos vistos alguns redemoinhos apenas de longe durante nossos pedais, mas ali, ver bem de perto, foi bem rico (não que não tivéssemos visto um antes, lembra o de Castrolândia?). Ficamos um tempo por ali. Aproveitamos para começar a tirar algumas fotos da viagem. Seguimos nosso trajeto e chegamos em Dordrecht. Demoramos um pouco para achar o camping pois ele ficava meio que escondido no meio de um parque. Antes, paramos em um supermercado para comprar comida para a janta. O dia estava bonito e não havia previsão de chuva. Montamos nosso acampamento. O camping era bom, mesmo padrão. Aproveitei o camping para observar um casal que também estava viajando de bicicleta e qual barraca eles estavam usando. Era um modelo maior e que tinha uma parte avançada onde poderíamos guardar os alforjes. Fui conversar com eles para ver o que achavam deste modelo de barraca. Anotei a marca e fui pesquisar se essa seria uma barraca para a nossa necessidade e bolso (estamos na Europa e o Euro está nas alturas). Hoje nosso jantar foi mais tranquilo (não choveu, hahaha). Aproveitamos o wifi do camping para dar uma atualizada com a família. Estamos melhorando nosso condicionamento. Por orientação médica estamos tomando um complemento protéico para manter os músculos fortes e para ajudar na recuperação após o longo período que pedalamos. No dia seguinte já estávamos mais acostumado com a rotina.


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Postado por Leonardo Joucowski

Um cara do bem, que se esforça para escrever algo legal. Casado com a Dani e em estado de inquietude eterna.

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