Bélgica

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Vamos lá, bem rápido: Bélgica é sinônimo de…CERVEJA, também. Se você perguntar para os vizinhos germânicos a briga vai ser acirrada, mas se tem coisa boa que esse pequeno país rodeado por outros países interessante é a tal da cerveja trapista. Eu curto cerveja pacas, não é a toa que nesses quase 3 anos viajando, tomei cervejas e quase todos os países que visitamos, até no Irã (cerveja sem álcool), Marrocos, Índia (tem a clássica cerveja que só vende no Rajastão) e claro, em todos sempre preferi experimentar marcas locais. O problema que aqui na Bélgica essa frase “experimentar marcas locais” é algo complicado (rs). Nossa breve passagem pela Holanda já indicava que nosso próximo país iria ser intrigante. Não esperávamos muito, para falar bem a verdade, e acabou que tivemos boas surpresas. Vamos lá!

Wuustwezel – 66 KM – Acumulado: 186 KM
Em nosso último dia de Holanda, viemos pedalando sentido a cidade de Breda. Uma cidade pequena, onde paramos para almoçar. Aqui estamos comprando comida no supermercado o que ajuda a baixar o nosso custo. Viemos pedalando por uma estrada do interior e em um momento paramos para descansar e vimos uma banca vendendo abóboras. Pensa em um banca com muitas variedades de abóboras. Foi a primeira vez que vimos duas coisas: uma variedade enorme de abóboras e uma banquinha no meio da plantação com uma caixinha em que as pessoas pegariam o que quisessem em deixariam o dinheiro lá. Estamos na Europa. A mentalidade é diferente. Seguimos nosso caminho e viemos cruzando nosso último trecho na Holanda. Cruzamos por uma floresta muito bonita e no seu final já estava a “fronteira” com a Bélgica. Iríamos cruzar nossa primeira fronteira de bicicleta na vida (cruzar fronteiras já não era uma novidade para nós). Foi uma sensação incrível. Sensação de “eu, minhas pernas e a bicicleta que chegamos aqui”. Em de repente, já estávamos na Bélgica. Nossa primeira cidade seria a pequena Wuustwezel. Lá também seria a nossa 1a estréia no Warmshowers (o Couchsurfing para ciclo-viajantes), se hospedar na casa de pessoas locais já não era uma novidade para nós, o Warmshowers seria uma variação deste tipo de acomodação. E foi uma bela experiência, viu? Chegamos no fim da tarde, encontramos a casa do Mark e da Chris, nossos hosts. Já tínhamos lido o perfil deles e eles eram pura inspiração. Estavam casados a um bom tempo, tinha em torno de 65 anos e faziam e já tinham feito algumas viagens de bicicleta. O dia estava quente e logo que chegamos eles nos ofereceram um banho e nos mostraram o quarto que iríamos ficar. A casa era belíssima e grande. Eles tinham 3 filhos que já não moravam mais lá, logo, quartos de sobra. Quando chegamos lá eles comentaram que teríamos a companhia de suas duas netinhas. A Dani já adorou a notícia, poderia interagir com crianças. O Mark e a Chris tinham recém trocados de bicicletas e por uma grande coincidência, eles tinham comprado duas bicicletas Santos (a mesma marca que a nossa), já criamos uma conexão só por esse fato. A Bélgica tem uma “briga” grande entre seus vizinhos de quem produz as melhores cervejas, e como bom belga, o Mark fez uma degustação de cervejas belgas para nós após a janta. Eu estava no paraíso, adoro cerveja e ser recebido com uma degustação de boas cervejas locais foi sensacional. Durante o jantar eles nos passaram várias dicas do cicloturismo bem como do Marrocos, que tinham recém voltado de uma viagem. Aproveitamos todo o conhecimento deles. No dia seguinte, seguimos nosso caminho. Nos despedimos da Chris, das netinhas e do Mark. O Mark, na real nos despedimos depois, ele nos acompanhou por um trecho inicial de nossa saída da cidade. Fez questão de nos ensinar como funciona o sistema de placas númericas que indicavam o caminho que deveríamos seguir. Um sistema simples e que ficamos surpresos de usar. Fomos oldschool dessa vez, nada de GPS.

Antwerp – 30 KM – Acumulado: 216 KM
Antwerp seria o nosso próximo destino. Viemos aqui por indicação do Mark e também por ser uma cidade que estaria em nossa rota até Bruxelas. O trajeto até Antwerp foi curto. Chegamos na cidade já era perto do meio do dia. O caminho até a cidade não teve muito atrativo. Continuamos em terras planas. Logo que chegamos já fomos procurar o camping municipal da cidade. Ele ficava do outro lado do rio Escalda. Chegamos pedalando por um ciclovia beirando o rio e bem na parte central, pegamos um ferry-boat para a outra margem. O ferry era de graça. Nos localizamos no camping, montamos nosso acampamento e decidimos passear pela cidade. Fomos de bicicleta (sem os alforjes). O centro histórico da cidade é bem bonito. A praça principal tem a estátua de um homem arremessando uma mão (que é o significado do nome Antwerp). Como todo centro histórico europeu, não tem carro circulando, muita gente caminhando, e claro, bicicletas. Ficamos por ali e decidimos jantar por ali também. Comemos uma espécie de batata-frita muito parecida com o que comemos na Holanda. Voltamos para o camping e dormimos. No dia seguinte seguiríamos para a capital Bruxelas.

Bruxelas – 50 KM – Acumulado: 266 KM
Decidimos ir para Bruxelas por duas razões, conhecer a capital do país e rever um amigo nosso, o Maarteen. Conhecemos o Maarteen em 2015 no Nepal quando fizemos uma caminhada no Nepal. Na época fizemos uma boa parte do trajeto juntos e nos conectamos, trocando experiências de viagem e das diferenças entre nossos países. Para você ver como são as coisas, naquela época, como estávamos um pouco isolados com acesso a internet, ele escreveu em um caderno o seu endereço de e-mail. Guardei o bilhete e seguimos nossos rumos. Quando decidimos que iríamos pedalar pela Europa e viríamos para a Bélgica, logo mandei uma mensagem para ele. Ele ficou super contente de saber que iríamos nos ver novamente. Saímos de Antwerp cedo e seguimos pelas estradas belgas que grande parte tinham ciclovia. Combinamos de encontrar o Maarteen em uma cidade antes, ele fez questão de pedalar conosco até a sua casa desde essa cidade. Nos encontramos em Mechelen, ele veio de Bruxelas em um trem e nos encontrou lá. Demos um passeio pela cidade antes de irmos a capital. Em Bruxelas ficamos 3 dias e aproveitamos para comprar uma barraca nova (a nossa estava ressecada e com goteiras dentro). Passeamos pela cidade e podemos ver as suas belezas. Em um dia, o Maarteen nos levou para passear pelo centro da cidade à noite. A cidade é encantadora nesse período do dia. Aproveitamos para tomar bastante cerveja também. Uma boa pedida é aproveitar e ir ao bar  Delirium e tomar uma das melhores cervejas do mundo a um preço local. Em um outro dia passeamos por lugares mais turísticos, fomos até o Atomium, voltamos ao centro histórico agora de dia. Em um dia praticamente ficamos na função de comprar a nossa barraca. O Maarten nos recebeu em seu apartamento todos esses dias e foi um super host, nos ajudou bastante com informações e dicas dos próximos países que íamos.

Geraards Berger – 49 KM – Acumulado: 315 KM
Saímos de Bruxelas e seguimos sentido a fronteira com a França, nosso próximo país. Nosso destino seria a pequena Geraads Berger. Nesse dia viemos pedalando por estradas do interior da Bélgica, que se mostrou bastante rural. Viemos percorrendo e passando por cidades pequenas. Nesse dia almoçamos em uma praça que tinha uma espécie de parque de diversão pequeno. Ficamos surpresos com a estrutura. O interior da Bélgica mostrou-se ser bem tranquilo. Quando estávamos chegando a nosso destino final, passamos por um trecho bem famoso da prova de ciclismo, Tour de Flanders. Para quem acompanha o ciclismo, sabe o que é esse tour. Chegamos em nosso Warmshowers, dessa vez teríamos uma experiência bem diferente. A casa ficava em uma região bem rural, afastado do centro da cidade. Lá ficamos em uma casa muito legal, seus donos eram bem simples, tinham reformado a antiga casa. Nessa reforma, eles construíram um chuveiro na parte de fora da casa, o que para nossa surpresa foi muito legal, fazia bastante calor nesse dia. Tomamos banho nesse chuveiro e eles prepararam uma janta para nós. A Dani amou a salada que a nossa anfitriã preparou, tinha muita coisa orgânica e sementes, claro que eles serviram umas cervejas artesanais para experimentarmos. Foi uma noite bem agradável. Aproveitamos o fim do dia para discutir a rota do próximo dia, iríamos para o nosso 3o país, a França. Nosso destino seria a cidade de Roubaix.

Postado por Leonardo Joucowski

Um cara do bem, que se esforça para escrever algo legal. Casado com a Dani e em estado de inquietude eterna.

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