Irã

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O povo do Irã foi o mais hospitaleiro de nossa viagem, disparado (bateu a Turquia nesse quesito, sorry my friends). Foram 20 dias visitando as principais cidades do país e exatos 200 euros e 40 dólares, algo como U$ 260 gastos com transporte, alimentação e entradas em locais de visitação. Em 20 dias não gastamos um centavo com hospedagem. O couchsurfing comprovou ser a mais poderosa plataforma de interação e hospedagem do mundo. Fizemos couchsurfing em todas as cidades e vou te falar, foi a melhor coisa que fizemos para realmente entender e conhecer o povo do Irã. Nós não tínhamos dúvida do potencial do couchsurfing (já fizemos vários), mas no Irã excedeu todas as nossas expectivas. Visitar o Irã tem um certo preconceito envolvido, sejamos francos, o que você sabe sobre o Irã? Bomba nuclear? Terrorismo? Extremistas? Coisas da mídia, certo? Pois então, meu amigo, esquece isso, sério. Nessa viagem, a única coisa que temos certeza e que está em nosso propósito é VEJA O MUNDO COM OS SEUS OLHOS. E no Irã, vimos. Vimos famílias iguaizinhas as nossas, com as mesmas alegrias e angústias sociais, com alguns costumes bem similares aos nossos, outros bem diferentes. Conversamos com jovens iranianos e escutamos as suas queixas em relação as pressões e o modo de vida no país deles (alguns pró e outros contras). Visitamos lugares históricos e cidades belíssimas. Se você pretende um dia viajar o mundo ou sair de férias em um país nada convencional, venha para o Irã, sem medo e preconceito. Sentiremos saudades do Irã.

Tabriz
Saímos de Yerevan (capital da Armênia) eram 11:30 AM. Pegamos um ônibus que iria direto para Teerã (capital do Irã), mas nós iríamos descer antes, em Tabriz. Eu estava um pouco ansioso para continuar a viagem, ficamos bastante tempo em Yerevan, e viajante quer mover. Quer prosseguir viagem. Chegamos em Tabriz eram 05:00 AM, no outro dia, levamos 17 horas de ônibus (mais uma para a conta). Na fronteira demoramos um pouco, apesar de ser uma fronteira tranquila e o horário que cruzamos, a saída da Armênia foi demorada por não haver alguém para arrumar a fila, enfim. Já do lado iraniano, foi até que tranquilo. Já estávamos em outro país. As mudanças de países em alguns casos é notável. E aqui já percebemos que estávamos no Irã. Os véus já apareceram nas cabeças das mulheres e os homens só de calça, nada de bermuda pelos próximos 20 dias (exceto dentro das casas mais liberais). Na fronteira precisávamos ligar para o nosso host em Tabriz e avisá-lo que estaríamos chegando bem tarde. Conseguimos um telefone emprestado e falamos com ele. Em um momento, quando estávamos esperando o pessoal do nosso ônibus passar pela fronteira, um cara da nossa idade se aproximou. Ele ficou só de canto, escutando a nossa conversa em português, e claro, ele veio falar conosco. Já puxou papo perguntando de onde éramos, o que estávamos fazendo no Irã, aquele papo de costume. No final desse breve bate-papo, o nosso amigo nos deu seu cartão profissional e comentou que qualquer coisa que precisássemos poderíamos mandar um alô. Ok, estranhos no começo, mas guardamos o cartão. Enfim, chegamos em Tabriz, estávamos mortos. Já na nossa chegada a casa do nosso host ele mandou a seguinte “vocês tem saco de dormir?” olhamos entre si e falamos, “não, por quê?”. Ele comentou que a casa dele estava com parentes e mais um casal de alemães fazendo couchsurfing e não tinha mais espaço e nem colchão para nós. Já achei bem estranho. Enfim, lá estávamos nós, 5 da matina deitados no tapete (as casas iranianas tem tapetes persas por todo o lado). Não foi o que esperávamos, mas ok, era o que tínhamos. Dormimos umas 5 horas e lá pelas 10:00 a casa já estava viva. E que viva! Contei, estávamos em 20 pessoas mais os alemães. 22 no total! Café da manhã foi servido no chão, eles colocam uma espécie de toalha de plástico e comem no chão mesmo (as famílias mais tradicionais, claro). E lá fomos para o nosso primeiro café da manhã no Irã. Estávamos muito cansados ainda, então não aproveitamos muito. Café tomado, fomos dar uma volta pela cidade, saímos com o nosso host e o Sven e a Julia (casal da Alemanha). Já começamos achar estranho a atitude do nosso amiguinho (um garoto de 17 anos no couchsurfing, além de ser proibido no Irã, precisa ser maior de 18 anos para participar). No meio do caminho ele falou que iria cortar o cabelo e nos esperaria na barbearia. Fomos conhecer uma mesquita e depois voltamos para reencontrar o nosso amiguinho. Lá pelas tantas ele solta “então, até quando vocês pretendem ficar aqui em Tabriz?” Oi?! Nós mandamos um convite para 3 dias, lembra? Então nosso amiguinho soltou a bomba, no dia seguinte ele iria viajar pelo Irã. Ficamos putos. Pô, couchsurfing é coisa séria. Decidimos que iríamos embora no dia seguinte, a Dani comentou que não queria passar o dia do aniversário dela com o nosso amiguinho. Agilizamos a nossa ida para Urmia, cidade do nosso amigo que nos entregou o cartão de visitas, lembra? E deu tudo certo, conseguimos falar com ele que aceitou nos receber. Ufa, conseguimos nos livrar do nosso amiguinho (ele ainda confessou para o Sven e a Julia que só nos aceitou por não ter nenhum brasileiro em sua “conta” de países de pessoas que ele já havia hospedado =/, crianças.) Ainda na última noite, fizemos uma surpresa para a Dani, compramos um bolo pequeno para ela, e acabamos dividindo com as 20 pessoas da casa. Nos despedimos do Sven e da Julia e combinamos de nos encontrar novamente.

Urmia
No caminho para Urmia, já era o dia do aniversário da Dani, comprei um brinco que ela tinha gostado na Armênia e fiz uma surpresa. Pedi ao longo dos últimos dias para que pessoas queridas mandassem um vídeo bem curto desejando feliz aniversário ( fez 30 anos), ela ficou extremamente emocionada. A cada vídeo que via, vinha un suspiro de “ah, nossa que fofos!”, “own, amo minha família!” ou “nossa até eles mandaram! Amei!”. Acho que ganhei algumas estrelinhas com a Dani. =) Emoções passadas, chegamos em Urmia. O Behzad veio nos buscar. E agora sim, estávamos experienciando a verdadeira hospitalidade iraniana. Já de cara ele nos perguntou o que gostaríamos de fazer e como sempre, comentamos o que ele quisesse fazer, para nós, estar ali já seria muito interessante. Nos levou para ver as tumbas de Urmia. No dia seguinte, fomos caminhar pelo centro de Urmia, visitamos o bazar (claro, toda a cidade do Irã tem um bazar ;)), comemos pistache no seu estado natural, nunca imaginávamos como era comer dessa maneira, tomamos uma espécie de suco com água de rosas e uma massa branca, eu curti, a Dani não. O Behzad foi muito atencioso conosco. Em um dia fomos visitar a fazenda do avô dele. A fazenda era grande e produzia frutas. Pensa na nossa felicidade em comer fruta direto do pé. Ficamos um bom tempo lá comendo fruta e conversando com ele. O avô dele apareceu lá, fazia questão de nos ver, e claro, fez de tudo para nos deixar bem confortáveis. O Behzad comentou conosco que o avô dele faz todo o ano uma viagem pelo interior do Irã onde carrega uma caminhonete cheia de frutas e vai vendendo/ doando pelo caminho. Ele comentou que essa é a diversão do avô. Pensei que deveria ser muito legal poder fazer isso. E ele vai sozinho, sem celular, sem nada. Só pelo prazer de dirigir e vender/ doar frutas que produz. Fomos visitar o lago Urmia. Um lago grande que está secando em função das represas que foram construídas nos arredores de Urmia. Fomos conhecer essa represa também. Fim de nossa estadia em Urmia, hora de seguir viagem. Agora sim, tivemos contato com o verdadeiro povo do Irã. O Behzad foi muito atencioso conosco e seremos muito gratos por nos ter dado a real boa-vinda ao país.

Zanjan
Saímos de Urmia e decidimos fazer uma parada em Zanjan antes de seguir viagem para o Centro-Sul do país. Zanjan não tem muito o que ver, ela seria a nossa base para visitar o Domo de Soltanieh, conhecido como o maior domo do mundo, com 48 metros de altura. No caminho para Zanjan pegamos a nossa primeira carona. Paramos no pedágio que dava acesso a cidade, perguntamos para uma família se eles poderiam nos dar uma carona, e não é que deu certo? Eles estavam voltando para Teerã, mas mesmo assim fizeram questão de desviar o caminho e nos levar até a cidade. Fizemos couchsurfing e ficamos na casa da Farah. A Farah era tão atenciosa com os hóspedes que decidimos estender a nossa estadia em um dia a mais só para relaxar na casa dela. Zanjan é conhecida no Irã pela produção de facas. Facas de tudo quanto é tipo e tamanhos. Comprei uma para dar de presente para o meu pai. Em um dia fomos visitar o Domo de Soltanieh. A construção realmente impressiona. Foi construída na época da invasão mongol no Irã. Não entramos, pois tinha que pagar, e não era barato e eles estava reformando a parte interna, então não seria tão interessante para fotografar. Do lado de fora, tinha um gramado, aproveitamos para descansar e comer semente de girassol (tanto aqui quanto na Turquia nós adoramos comer semente de girassol, o que no Brasil é comida de papagaio…hahaha). Como o dia estava bem quente, ficamos numa sobra, estava ótimo. Pegamos um ônibus para voltar a Zanjan e descansamos. Colocamos o blog em dia e baixamos algumas fotos. Sabe como é, sempre que tem uma internet boa tem que aproveitar para fazer essas coisas. Fim da nossa estadia em Zanjan, decidimos pegar uma carona para Teerã. A Farah nos ajudou novamente. Nos levou até um local onde conseguiríamos pegar uma carona facilmente. Dito e feito, em 5 minutos de placa com o nome Teerã, começaram a parar vários carros. Teve um momento que formou até uma fila de 3 carros para entender o que estava acontecendo. Até que um topou de nos levar. Entramos no carro, faceiros. Abri o aplicativo Maps.me e fui acompanhando. Via que o carro estava indo na direção contrária. E ele realmente estava nos levando para Teerã, porém estava nos levando para o terminal de ônibus que nos levaria até Teerã (fué!). Agora estava eu lá explicando para o nosso amigo que não queríamos ir de ônibus e sim de carona. Aqui no Irã eles não conhecem o conceito de carona. Isso não existe aqui. Ok, 1a tentativa não deu certo, voltamos para o nosso ponto estratégico. Alguns curiosos diminuiam só para ver o que estava escrito. Outros pedestres vinham até nós e ficavam olhando para a placa, não entendendo nada. Teve uma cena em que eu estava com a placa em mãos e na minha frente tinham 4 homens discutindo em farsi o que estva se passando ali. A cena foi tão engraçada que tive que passar por eles para que a nossa placa ficasse visível para os carros. A Dani só dava risada da situação, e eu também. Até que um cara nos ajudou. Ele entendeu o que queríamos e nos levou até um ponto de pedágio e lá ele comentou que poderíamos tentar uma carona. Ele quase entendeu. Quando foi dar tchau para nós ele comentou “Quando vocês chegarem em Teerã, procurem a embaixada do Brasil e comentem que vocês não tem dinheiro. Eles vão ajudar vocês.”. What?! Acho que ele pensou porque falavamos “No money..” que não tínhamos dinheiro (hahaha). Ok, conceituação de carona feita, aproximamos de uma família que estava estacionada em um restaurante. Eles aceitaram nos levar até a cidade de Karaj, onde poderíamos pegar um trem e então chegar a Teerã.

Teerã (parte 1)
Chegamos em Karaj e em nossa carona com a família rolou de novo picolé e a Dani aproveitou para matar a saudade das nossas sobrinhas pequenas, com a menininha do casal de 1 ano. Fomos para a estação de trem e compramos o ticket para Teerã. Na estação, sentamos em um banco para esperar o próximo trem. Nisso, um rapaz se aproximou de nós e soltou, “vocês precisam de ajuda?”. Nós nos olhamos e falamos, sim. Pedimos informação sobre como chegar no terminal sul da cidade, pois precisávamos comprar passagem para Shiraz. O cara (Mohammad), não só fez de passar a informação, como foi conosco no mesmo trem até Teerã, desceu na estação conosco, nos levou até a estação onde deveríamos sair para ir até a estação de ônibus, foi conosco comprar as passagens, nos ajudou a comprar o cartão do metro, foi conosco até o endereço da casa do nosso host e ainda fazendo tudo isso levando a mala da Dani (inacreditável!). Você deve estar pensando, se fosse no Brasil ia dar chabu, mas estamos no Irã, aqui as coisas são diferentes. Na casa do nosso host, reencontramos o Sven e a Julia. Eles iam ficar mais tempo em Teerã para tirar os vistos dos paises que eles iriam depois do Irã. Nós iámos ficar apenas 1 noite e um dia, já que a nossa passagem para Shiraz era noturna. O Mohammad entrou em contato com o nosso host e nos passou o seu telefone. Acho que ele ficou mais empolgado que nós e resolveu nos convidar para almoçarmos na casa dele (vai vendo o que é hospitalidade, laços de confiança, essas coisas). E fomos, aceitamos o convite felizes. Tivemos uma ótima tarde. Conversamos sobre quase tudo com a família dele. O Mohammad fazia a ponte entre os familiares com o inglês. Experimentamos tudo o que nos ofereceram: chá de rosas, almoço com prato típico, frutas da estação, enfim, foi muito bom. Foi nesse encontro que percebemos que os iranianos são hospitaleiros de coração. Eles nos deixaram super a vontade, a Dani ganhou presentes e deu alguns batons para as mulheres (as iranianas são muito vaidosas com a maquiagem). No fim do dia o Mohammad e seu pai nos levaram até a rodoviária, uma gentileza tamanha. E assim como o Behzad de Urmia, foi conosco até dentro do ônibus para se despedir. =)

Shiraz
Viagem longa, foi a noite toda. Chegamos eram umas 06:00 AM em Shiraz. Em uma das paradas na madrugada a Dani foi abordada por uma jovem iraniana, de uns 25 anos. A moça ficou tão fascinada com a Dani, que bateram um papo, trocaram telefones e combinaram de se reencontrar em Shiraz, ela também estava indo para estudar e morar lá. Não dormimos bem no ônibus, mesmo sendo um execelente ônibus. Na chegada, mandamos um SMS para o nosso host. A nossa conversa foi bem truncada. O inglês dele deixa a desejar, mas conseguimos combinar que ele iria nos buscar na rodoviária. O Hamid demorou para ir nos buscar pois estava trabalhando no restaurante até as 4 da matina, estava cansado. Tivemos que dar um tempo no restaurante dele para esperar o amigo dele que iria nos receber chegar em casa. Assim fizemos, dormimos numa espécia de colchões que tinha no restaurante e lá ficamos. Perto do almoço fomos para a casa desse amigo. Era um pouco afastado da cidade. Nesse mesmo dia decidimos ir para Persépolis. Ameaçava chover, mas arriscamos. Deu certo, visitamos esse que é considerado um dos monumentos mais significativos do Império Persa. Voltamos para Shiraz e dormirmos na casa do amigo do nosso host. No dia seguinte, fomos visitar o templo de Hafez. Shiraz é conhecida por seus poetas. Fomos ao jardim onde Hafez foi sepultado. Combinamos de encontrar a iraniana que nos abordou em uma de nossas paradas no caminho de Shiraz. Deu certo, no horário marcado nos encontramos. Foi muito bacana encontrar e conversar com jovens iranianos, no caso o nosso host e essa moça. Pudemos perguntar várias dúvidas que tínhamos em relação o que era ser jovem no Irã. A troca foi riquíssima. Não imaginávamos ter essa oportunidade. Fim da nossa visita a Shiraz, pedimos para nosso host nos deixar na rodoviária onde iríamos pegar o nosso ônibus para o nosso próximo destino, Yazd.

Yazd
Chegamos bem cedo em Yazd. Ligamos para nosso host e ele combinou de nos pegar na rodoviária. Logo que chegamos nosso host foi muito prestativo. Já nos levou para a casa dele. Como era muito cedo, demos uma descansada para então tomarmos um café da manhã. Quando acordamos, conhecemos a sua esposa, a Reyhanne. O Javad e a Reyhanne tinham recém casados, e estavam bem empolgados para fazer o seu primeiro couchsurfing. Já no café da manhã, vimos que esse seria um couchsurfing diferente. O Javad, no melhor estilo iraniano de acolher e agradar, montou um roteiro para nós e explicou o que eles haviam pensado em fazer conosco. Nós não tínhamos planejado nada e foi até engraçado quando ele nos perguntou: “Quais são os planos de vocês aqui em Yazd?”. Café tomado, roteiro para os próximos 3 dias devidamente descritos, fomos visitar a nossa primeira atração, os túneis cavados na terra para coleta de água e uma forteleza toda construída em barro. Um lindo monumento. Yazd é conhecida por ter em sua arquitetura a utilização de barro. No caminho para esse fortaleza, o Javad nos surpreendeu de uma maneira muito bacana. Dentro do carro ele falou “Dani, eu tenho uma surpresa para você!”, colocou uma música do Jorge Ben Jor (mais que nada) para ela. Ficamos muito felizes e emocionados com a surpresa. Mas não foi só isso, ele ainda gravou uma música do Pearl Jam e colocou para escutarmos. Só esse carinho já tinha valido a pena estar em Yazd e estar no Irã. Ele foi tão esperto, que leu o nosso perfil no couchsurfing, no qual a Dani descreve os nossos gostos musicais, e fez essa surpresa. Foi muito foda. Emoções e surpresas, seguimos com a nossa visita. No fim do dia fomos visitar a Jame Mosque de Yazd. Uma linda Mesquita, com uma decoração de azulejos azuis que eram muito bonitos. As luzes azuis e laranjas usadas para iluminar ao anoitecer dava um brilho a essa mesquita. Ficamos encantados. No dia seguinte, fomos visitar um museu que celebra um sistema chamado Windcatcher, onde é erguida uma enorme chaminé vazada em seu topo, que coleta o vento e faz com que ele desça até o interior da casa e quando entra em contato com uma espécie de fonte de água resfria todo o ambiente, é incrível e realmente funciona! No fim do dia fomos visitar os pais do Javad, que estavam na casa de campo da família. O Javad fez questão que passássemos um tempo com os seus pais, o que para nós foi mais uma experiência inimaginável. Os pais do Javad já estão em uma idade avançada e no verão se recolhem as montanhas para fugir do calor. Iámos passar a noite na casa deles. Fizemos pão com a mãe do Javad, a Dani adorou. Para assar o pão usamos um forno bem diferente. Ao invés de colocar o pão na horizontal, você “pendura”a massa do pão na parede do fogão. Eu fui o padeiro! Muito legal. É claro, com o pão quentinho fomos jantar. A noite, o Javad foi dar uma aula de astronomia para nós. Realmente, foi mais uma grande surpresa. Ele nos levou para o meio do deserto e lá ficamos olhando as constelaçõe. Nos ensinou como achar a Estrela do Norte (que sempre indica o norte no hemisfério Norte) e várias outras coisas sobre astronomia. No final, ele me deu a caneta que ele usava para nos guiar (tipo uma caneta de lazer porém com um alcance poderoso) para que eu possa continuar os estudos no Brasil. Voltamos para a cidade, ter mais essa experiência seria algo inimaginável sem o couchsurfing. Decidimos ir para a nossa próxima cidade, Esfahan. Em nossa despedida ainda tivemos um almoço na casa de um dos irmãos do Javad, o que mais uma vez provou que esse povo é o mais hospitaleiro. Saímos de Yazd com o coração apertado, eles foram sensacionais.

Esfahan
Chegamos em Esfahan e tínhamos combinado de fazer um couchsurfing junto com os nossos amigos alemães, o Sven e a Júlia. Chegamos já era noite e claro, gentilmente um local nos deu uma carona até a casa do nosso novo host, o Sadegh. O Sadegh mora sozinho em uma casa relativamente grande para uma pessoa, porém faz couchsurfing para poder trocar e aproveitar os quartos da casa. Ele também foi um host incrível. Nos deixou super à vontade na casa dele que até ficamos mais tempo em Esfahan. Em uma das noites, conhecemos uma amiga do Sadegh, a Sofia, ela junto com o Sadegh mantém uma comunidade de couchsurfers em Esfahan, que se ajudam para hospedar estrangeiros. Uma reflexão: couchsurfing no Irã é ilegal porém para esses jovens é a porta de entrada para um mundo desconhecido de verdade. A mídia no Irã é controlada. E esse grupo é bem unido em Esfahan. A Sofia até deu uma entrevista para o livro Couchsurfing in Iran, autor alemão Stephan Orth. Em Esfahan demos uma descansada também. Aproveitamos a casa para cozinhar, colocar os assuntos em dia com o pessoal do Brasil e escrever no blog. Em um dia fomos caminhar os 4 pela cidade, visitamos a Meidan Eman, um patrimônio da Unesco, passeamos pelo bazar e pela praça Naghsh-e-Jahan, uma linda praça rodeada de mesquitas. A principal praça de Esfahan. O bazar de Esfahan além dos tapetes é famoso por seus pratos decorados com uma pintura detalhada em tons de azul e branco na sua maioria, uma arte única no mundo. Se tem uma cor que define o Irã, é o azul celeste. A grande maioria das mesquitas tem em seu interior várias combinações de azulejos, talvez por isso dos pratos também serem azuis. No meio do caminho aproveitamos para ir visitar a Jame Mosque de Esfahan. Em outro dia, demos uma caminhada em um parque da cidade e lá novamente vimos como os iranianos aproveitam os espaços urbanos. Cada parque é uma ótima oportunidade para fazer um picnic com os amigos ou a família. Não se acanhe para tomar um chá junto com eles quando for convidado. Aqui no Irã eles tomam muito chá. E diferente de nós que adicionamos o açúcar no chá, aqui eles pegam um torrão de açúcar, colocam no canto da boca e tomam o chá de maneira que vai adoçando. Eu curti demais essa maneira de tomar chá. Bom, Esfahan estava bom demais, mas teríamos que seguir. Nossos amigos alemães também iriam até Teerã, e decidimos os 4 tentar pegar carona na estrada para Teerã. O Sadegh mais uma vez se superou e nos levou até o melhor ponto para levantarmos o dedo. Agora o que eu vou descrever aqui é surreal. Estávamos os 4 parados na estrada, o Sven com uma placa escrito em farsi, que tentava descrever qual era a nossa intenção. Lembre-se que os iranianos não tem o conceito de carona. Pois então, depois de uns 10 minutos para um carro com um senhor da idade de nossos pais, ele lê a placa e fala “entrem no meu carro que eu vou levar vocês na rodoviária. Comentamos com ele que não era a nossa intenção enfim, fomos nós lá. Chegando na rodoviária, esse senhor pagou todas as passagens para nós 4. Nós insistimos que ele não deveria pagar, mas é difícil convencer um iraniano quando ele está determinado a fazer alguma coisa para um turista. Dinheiro não é o ponto. É a atitude dele que foi mais uma prova. Assim como na Turquia, algumas pessoas se identificam com nós como se fossemos os filhos deles e acabam fazendo essas gentilezas.

Teerã (parte 2)
Em nossa última cidade no Irã conseguimos mais um couchsurfing, agora com os mesmos hosts do Dada e da Mi (nossos amigos brasileiros que fizemos Georgia e Armênia). O Danial e a Zahra foram mais uma vez um casal muito bacana. Como estávamos com tempo, ficamos um bom tempo em Teerã dando o tempo para a nossa ida para o Nepal. Eles foram muito legais conosco. Fizemos: sessão de filme iraniano, a Dani fez brigadeiro para eles, e claro, eles curtiram muito. Tivemos bastante tempo e conversamos muito com eles. Em um dia, fomos visitar um parque grande de Teerã. Lá tivemos uma conversa bem bacana a respeito dos sonhos de cada casal. A nossa viagem para os iranianos é algo muito complicado de ser realizado. Depende de uma série de fatores para que ela possa ocorrer. Eles têm várias barreiras financeiras e até mesmo políticas para serem resolvidas antes mesmo de conseguir, e essa era a maior queixa de ambos. Além da maior queixa de que largar a vida para fazer um sabático é algo inimaginável para qualquer pessoa que está inserida no mercado de trabalho. Desistir do conforto, da estabilidade. O filme (Rain, título em inglês) que assistimos era um filme antigo, mas muito representativo para a nossa estadia no Irã. A Dani adorou o filme, até se emocionou com a história. Em um dia ficamos novamente em casa, sem fazer nada. Nesse dia decidimos fazer uma janta para eles. Fizemos patê de atum. Eles não tinham comido ainda, no começo ficaram um pouco desconfiados, mas depois curtiram bastante. Eles não comem atum aqui dessa maneira. Em outro dia, resolvemos rever o Sven e a Júlia. Marcamos de conhecer o bazar de Teerã e os seus arredores. O bazar de Teerã é enorme. Novamente fomos surpreendidos. Decidimos almoçar em um restaurante tradicional e já na fila um homem nos abordou. Ele falava um inglês perfeito e nos explicou que era iraniano e que morava nos EUA a mais de 20 anos. Ele estava de férias com a sua família. Além de nos ajudar a escolher o nosso prato, esse cara nos deu ainda mais comida típica e suco para nós 4 experimentarmos. Parece até piada, né? Mas não é. Esse povo do Irã tem muito a nos ensinar. Nos despedimos do Sven e da Júlia. Eles iriam para a Ásia Central na sequência da viagem deles. Ainda tivemos tempo de conhecer o famoso monumento Azad, uma linda torre no meio de uma das maiores avenidas de Teerã. Em nossa última noite, o irmão e a irmã da Zahra foram na casa deles com seus respectivos maridos e esposas e ficamos conversando além de participarmos de um jogo, desses de mímica de adivinhação que rendeu algumas boas risadas. Nesse dia o prêmio da equipe vencedora seria o delicioso suco de cenoura com sorvete de açafrão e pistache, eu curti demais esse suco. É claro, o time que eu estava ganhou e tomamos o suco. Nos despedimos do Irã. A todos os nossos amigos iranianos, o nosso muito obrigado. Ao Irã, obrigado por abrir as suas portas para nós. Aos leitores desse blog, visitem o Irã, deixem todos os seus medos imaginários em seus países. O Irã merece a sua visita.


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Postado por Leonardo Joucowski

Um cara do bem, que se esforça para escrever algo legal. Casado com a Dani e em estado de inquietude eterna.

Comentários (4)
  1. Tatiana 29 de fevereiro de 2016 at 15:03

    Adorei o post de vocês! Estou louca para conhecer o Irã, fazendo planos para o início do ano que vem.

    Como vocês fizeram a respeito da estadia na imigração? Já que o couchsurfing é proibido? Falaram que iriam ficar na casa de amigos e deram o endereço do couchsurfing?
    Sabem se é tranquilo para brasileiro tirar o visa on arrival?
    Vocês estavam lá quando? Fpi em fevereiro mesmo?

  2. Fernando 26 de fevereiro de 2016 at 01:41

    Demais! Estamos ansiosos p conhecer este país! Abs

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