Quênia/ Uganda

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Quando saímos da Tanzânia rumo ao Quênia, sabíamos que esse seria o nosso último país da África negra. Tínhamos certeza que seria um país onde iríamos nos preparar para a 2a etapa da viagem, rumo ao Oriente Médio. Neste caso, considerando o Egito como parte mais do Oriente Médio do que do continente Africano. No Quênia ficamos em Nairobi, a capital. Quando fizemos nossas buscas do que ver no país, ou iríamos para o leste visitar Mombasa no litoral, ou iríamos para o sul visitar Massai Mara, para fazer um safari. Como recentemente já havíamos feito safari, não iríamos investir de novo e de praia recém saímos de Zanzibar e todas as pessoas que comentamos que já tínhamos estado na ilha comentaram que ir para Mombasa não valeria a pena. Seria mais do mesmo. Decidimos por explorar Nairobi e ainda visitar um país vizinho, Uganda, que inicialmente não estava em nossos planos.

Kampala, capital do Uganda
Pegamos o ônibus em Nairobi, seria um ônibus noturno. Logo que entramos no ônibus já deu para perceber pela “limpeza” que não seria uma viagem tranquila. Seriam mais de 10 horas de ônibus até chegarmos em Kampala, a capital de Uganda. Realmente não foi uma viagem fácil. O ônibus estava com as janelas meio que sem vedação e lá pela madrugada começou a fazer um frio pesado. Quando estávamos fazendo migração tivemos que tirar nossos casacos de frio para nos aquecer e tentar dormir. Sem falar nas baratinhas andando pela janela, o que nos fez trocar de assento rapidinho. Chegamos eram aprox. 7 da manhã e nossa host do couchsurf combinou de nos pegar na “rodoviária”, ou onde o ônibus para que nesse caso era no meio de um mercado local. Era um domingo e logo que descemos estava a nossa host nos esperando. Uma menina jovem, de seus 20 e poucos anos. Logo de cara tivemos a “surpresa” que ela não tinha carro, logo pensamos, “ué, mas então como ela iria nos pegar?” Ela veio de boda-boda (o moto-táxi local. Aqui tem muito moto-taxi.) Ok, “surpresa” 1 superada, pegamos um táxi para ir para a sua casa já que um boda-boda não ajudaria. Começamos a ir em direção a casa dela eis que chegamos a “surpresa” número 2. A casa era bem afastada da cidade, o que para nós fica bem complicado quando dependemos de transporte local. E um táxi para ir e voltar seria muito caro para o nosso orçamento, mesmo fazendo couchsurfing. Apenas olhava para a Dani e já pensávamos, que dessa vez o couchsurfing nos pregou uma peça. Beleza, chegamos na casa e lá veio a terceira “surpresa”. A menina morava numa casa relativamente pequena e com uma higiene bem complicada. Ela nos ofereceu o melhor quarto da casa, porém já avisou que o banho seria de caneca e água fria (o que não é um problema para nós, fizemos isso no Moçambique). Não temos frescura com lugares para dormir mas é necessário um básico de higiene. Detalhe, ainda teríamos que dividir a casa com a família da menina, o que nos fez refletir depois, que talvez o bom coração dessa menina não era para o couchsurfing. Já que além de hospedar você, meio que divide comida, oferece outras coisas fazendo com que a experiência seja bem local. Decidimos por não ficar na casa. Pegamos um táxi e fomos para um hotel que vimos no LP. Chegamos no hotel, um hotel simples, porém bem localizado, o que precisávamos. Uganda mostrou-se um país bem barato. Ficamos impressionados e felizes que nosso dindin valia alguma coisa lá! Aproveitamos para caminhar pela cidade. E caminhamos! Kampala é conhecida por 7 morros onde tem ou alguma mesquita ou alguma igreja ou alguma outra atração. Nós decidimos por visitar a mesquita “Uganda National Mosque” e foi bem interessante. Nosso primeiro contato com uma mesquita por dentro e neste caso a 2a maior mesquita da África, depois da mesquita em Marrocos. Esta mesquita tem capacidade para mais de 30 mil muçulmanos ao mesmo tempo. Realmente os detalhes foram encantadores. Eles tinham um lustre que parecia uma mandala no teto. Nesta mesquita ainda tem uma torre que dá para ver a cidade numa visão 360. Fomos lá em cima e fizemos algumas fotos. A tarde fomos visitar o museu nacional de Kampala com seus objetos antigos. No dia seguinte tivemos nossa experiência com o boda-boda, fomos comprar nossas passagens de volta  para o Quênia. Fomos em 3 numa moto. O trânsito em Kampala é frenético e foi uma experiência absurda. Como era uma terça-feira, a cidade estava fervendo.  Ficamos impressionados com a quantidade de pessoas na rua. A Dani até ficou um pouco assustada pois as pessoas olham para nós como os diferentes.  E as vezes querem nos tocar, seja lá para sentir o diferente como nós fazemos as vezes para com eles. Já que o dindin estava a nosso favor, aproveitamos para comer bem e tomar bastante cerveja. Coisas boas da vida.

Nairobi, capital do Quênia
Saímos de Arusha na Tanzânia com um ônibus direto para Nairobi no Quênia. Estávamos com apenas algumas indicações de hotéis que a Eliane e a Brenda nos indicaram na noite anterior quando as conhecemos antes de partir para Nairobi. Lendo sobre a cidade no Lonely Planet assusta um pouco já que a cidade tem/ tinha fama de assaltos. Em inglês até faziam a brincadeira de chamar de Nairobbery (Nairobi + robbery, que significa roubo em inglês). Logo que chegamos paramos na frente de um hotel bem localizado, fomos lá, vimos que tinha tudo que precisávamos para nossos próximos dias e decidimos ficar ali. O preço estava bom. Assim que chegamos fomos dar uma caminhada de reconhecimento pela região. Não fomos muito longe já que teríamos muito tempo por lá. Logo no 2 dia decidimos visitar um projeto social chamado Ocean Sole, que a Dani recebeu indicação de uma professora do tempo do Positivo. Como bom mochileiros, fomos na raça, nada de pegar um táxi e ir direto,  fomos de ônibus local. Digo raça pois o local era bem afastado da cidade e fomos no começo da tarde para voltarmos ainda com a luz do dia. O trânsito de Nairobi também é complicado. Bem chato e tudo travado todas as horas do dia. Levamos um bom tempo para chegar. O Ocean Sole é uma organização criada por uma Queniana que vendo a quantidade de chinelos que poluíam a costa do Quênia decidiu coletar e transforma as solas processadas em peças de decoração em forma de animais do continente. As peças ficam lindas depois de acabadas, tem um colorido bem marcante. Tour na Ocean Sole terminado, era hora de voltar. A nossa sorte agora foi em conseguir descolar uma carona de um casal local que estava indo para uma região mais próxima da cidade. Foi a nossa sorte mesmo, pois íamos demorar um pouco mais para chegar em Nairobi se não fossem eles. Lembra que comentei do trânsito? Então, pegamos um ônibus e foi demorado chegar. Já eram mais de 18, bem aquele horário caótico. Demoramos pacas para chegar, acho que eram perto das 20:30. Jantamos e cama, estávamos mortos. Ficamos os próximos dias resolvendo alguns detalhes dos próximos destinos e usando o wifi do hotel para colocar o blog e a fanpage em dia. Saímos para conhecer melhor o centro de Nairobi, que tinha até ColdStone, e fomos visitar o Arquivo Nacional de Nairobi. O local é um acervo pessoal que foi doado ao país. Várias referências ao povo Massai. Eles também fizeram parte do Quênia e outras culturas da África. Em um dia aproveitamos para despachar algumas coisas e souvenirs para o Brasil. As nossas mochilas parece que ficaram muito mais leves =). Estava nos nossos planos fazer esse envio após 3 meses. Em Nairobi foi engraçado, pois criamos uma rotina de ir tomar café em um mesmo lugar, o Gibson, Íamos lá, pois era um lugar bom e onde poderíamos tomar um café com leite e comer um pãozinho quente. Assim matar um pouco as saudades do café da manhã do Brasil. Fomos em alguns restaurantes de comida Swahili, que é um mix de arroz com alguma carne e algumas especiarias. Eles comem com a mão e eu aproveitei para entrar no clima, comi com a mão em uma das nossas refeições.
Depois que voltamos de Uganda conseguimos falar com a Eliane e fomos jantar na sua casa. Foi mais uma vez uma experiência muito legal. Ela nasceu no Burundi e é casada com um Queniano. Já morou na Alemanha, já morou nos Estados Unidos. Tem uma filha e um filho e seu marido trabalha na ONU. Foi uma troca de vivência e como é morar no Quênia nos dias de hoje. Nosso último dia em Nairobi, arrumamos as malas e como nosso vôo saía as 22:50 resolvemos sair bem cedo, às  16:00 com uma folga boa. Pois é, lembra do trânsito? Ele de novo complicou nossa vida. Logo que saímos começou a chover e acreditem, levamos mais de 5 horas para chegar no aeroporto, que era apenas 20km do nosso hotel. A cidade estava um caos. Nosso motorista estava muito de cara com a situação. Em um momento eu já até tinha desistido e achei que não iríamos chegar. Outro momento estavámos tentando de tudo quanto é jeito entrando em várias ruas, carros e ônibus de tudo quanto era lado. Ufa, chegamos, negociamos com o policial pularmos a fila de entrada no aeroporto, fizemos o check-in. A equipe do vôo também estava no mesmo congestionamento e o vôo atrasou…hahaha. Fim da nossa visita a África negra.
Foram lindos momentos que vivemos aqui. Foram várias experiências e aventuras. Fomos felizes na África negra, de verdade.

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Postado por Leonardo Joucowski

Um cara do bem, que se esforça para escrever algo legal. Casado com a Dani e em estado de inquietude eterna.

Comentários (2)
  1. Beto Balaio 19 de junho de 2015 at 16:26

    Que demais casal!
    Sabia o comeco dessa historia em tempo real.hahaha
    Nossa tá passando muito rápido.
    Aproveitem!
    Abracos

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